XVIII Congresso Latinoamericano de Medicina Social e Saúde Coletiva

Determinação socioambiental do processo saúde-doença – a centralidade da saúde, trabalho e ambiente

Encontro: “Determinação socioambiental do processo saúde-doença: – a centralidade da saúde, trabalho e ambiente”

XVIII Congresso de Medicina Social e Saúde Coletiva

O Pré-Congresso: Determinação socioambiental do processo saúde-doença: – a centralidade do trabalho e ambiente, que ocorrerá junto ao XVIII Congresso de Medicina Social e Saúde Coletiva, tem o propósito de refletir sobre a indissociabilidade do ambiente e trabalho na determinação socioambiental da saúde, a partir da integração das lutas dos movimentos sociais e sindicais, pesquisadores, gestores públicos, articulados pelo campo da saúde do trabalhador e saúde ambiental, para fins de construir uma agenda de discussão ampliada, orientada pela sustentabilidade, justiça social e pelos princípios da saúde da coletiva e medicina social, entre os países da América Latina.
Traz para o debate as profundas mudanças societárias do século XXI, com as transformações no mundo do trabalho, que avançam para o ciclo de uma nova matriz de reestruturação produtiva, baseada na acumulação flexível do capital, austeridade fiscal, desregulamentação do Estado, dos direitos trabalhistas e previdenciários, para transição de um sistema de dominação e subordinação ao capital internacional.
Todas essas dimensões do padrão de acumulação capitalista, ampliam desigualdades, precarizam as relações de trabalho, fraturam sistemas de proteção socioambiental e fragilizam a organização de movimentos sociais e sindicais na luta por direitos e ao ambiente saudável e sustentável.
A questão do capitalismo é a mesma origem q afeta os trabalhadores e o ambiente. Consequentemente, seus componentes de sobredeterminações no trabalho e ambiente impactam sobre a determinação socioambiental da saúde. E a mudança do clima, agrava desigualmente as populações, territórios e regiões, impondo pressões diretas e indiretas sobre o trabalho e o ambiente que resultam em vulnerabilidades individuais ou coletivas.
De acordo com a OMS, as mudanças do clima constituem a maior ameaça global à saúde, com potencial de “aniquilar o progresso dos últimos 50 anos na saúde global e na redução da pobreza, ampliando, desta forma, as iniquidades em saúde existentes entre diferentes populações e no interior das mesmas” (OMS, 2021).

A crise civilizatória decorrente do modo de produção capitalista, em contexto de emergência climáticas, tem como elemento central contra hegemônico a “emancipação”, capaz de rearticular a rede trabalho e ambiente, em seu aspecto temático e organizativo para construção de uma agenda de trabalho comum. Para isso, importante refletir sobre a emergência da questão social, gerada pelas grandes transformações sociais, políticas e econômicas produzidas e reproduzidas pela revolução indústria. A questão social, representa importante categoria central de análise, pois fundamenta a divisão entre os donos dos meios de produção, os trabalhadores e apropriação de riqueza socialmente produzida por uma minoria, em seus impactos na condição precária de vida e trabalho. Esses componentes dos mecanismos dos interesses de capital e do trabalho, são fundamentais para a organização da luta dos movimentos sociais e estratégicos na intersectorialidade entre trabalho, ambiente e ecossistemas, enquanto perspectiva de formas de se relacionar com a biosfera e a vida.
Conforme já afirmava Ulrich (1980), a problemática ambiental não é uma questão ecológica e sim resultado do colapso da sociedade industrial, portanto desacelerar o colapso ambiental, representa enfrentar os efeitos produzidos pela sociedade industrial. Nesse enfoque, Alana Moraes (2025) aponta para o problema do “colapso fóssil” nas emergências climáticas e a necessidade de uma transição para a vida terrestre, devido esgotamento das formas políticas produzidas na sociedade industrial e seus limites incapaz de alterar a velocidade da destruição ecológica, em suas múltiplas crises.
Agrava esse cenário, de crise civilizatória, a ideologia impetrada pelo atual governo imperialista do presidente dos Estados Unidos – Donald Trump, que ameaça à democracia, se impondo como poder único para o mundo, agindo contra à liberdade e autonomia dos povos e países. A linha política adotado pelos EUA, reprime o poder das instituições públicas, da ciência, dos imigrantes, ao mesmo tempo em que decreta importantes cortes em programa sociais e ambientais, com impactos globais à saúde dos povos.
Esses elementos apontam caminhos para organização e fortalecimento do movimento de luta operária, pela autonomia e bem viver em equilíbrio com os ecossistemas, a vida multiespécies, em contraposição a subordinação do trabalho e modos de vida destrutivos, impostos pelo capitalismo.
Nesse cenário não civilizatório, importante consolidar o posicionamento latino americano no campo da Saúde Coletiva e Medicina Social, no Pré-Congresso: Determinação socioambiental do processo saúde-doença: – a centralidade do trabalho e ambiente, construindo alianças para resistir e avançar em agendas que reivindiquem à saúde dos povos. Para isso, propõem-se a constituição de espaços para troca de experiencias de modelos de desenvolvimento social e econômico sustentável de base comunitária, como realizados pelos povos originários de comunidades tradicionais e outras inciativas bem sucedidas em rede. Também, a realização de diagnóstico dos países integrantes do pré-congresso, junto à governos progressista, sindicatos, movimentos sociais e universidades, para fins de construção da agenda em saúde, ambiente e trabalho da América Latina.
Neste aspecto, contribuições do documento da frente ampla (2022), que reuniu diversos especialistas do campo da trabalho e ambiente, elencou as seguintes prioridade para agendas políticas temáticas: 1) economia do cuidado x financeirização da vida; 2) modos de produção e destruição do meio ambiente e do trabalho; 3) extrativismo neocolonial dos corpos, povos e territórios; 4) territórios e terras livres para a soberania alimentar e da vida nos campos; 5) emergência climática e sujeitos da socio biodiversidade; 6) rios e oceanos: águas para a Vida ;7) energia para a soberania dos povos; 8) direito a cidades habitáveis e justas; 9) fundamentalismos e exclusões: 10) ameaças à terra e à socio biodiversidade; 11) estratégias pluralistas frente às estruturas racistas e patriarcais.

Eixos temáticos:

1) Circuitos do capital no século XXI, processos produtivos e os danos à saúde e ambiente, à dos trabalhadores (as) e à vida: perspectivas para uma agenda de lutas;

2) Determinação socioambiental da saúde como estratégia de ação no enfrentamento às iniquidades em saúde e seus processos nocivos em cenário de ameaças à soberania, à sustentabilidade e à solidariedade das comunidades de trabalhadores.

Programa:
9h00
Mesas
(Representação dos GT STT Abrasco, GT SA Abrasco, Red Salud Y Trabajo Alames)
(integrar representação de universidades, governo, representação de movimentos sociais e sindicais)
10h -intervalo
10h15 -11h15m – Espaço interativo de experiencias – Roda de Conversa
11h15 -12h -Apresentação de síntese de temas debatidos

12- Intervalo
14h00
Mesas
(Representação dos GT STT Abrasco, GT SA Abrasco, Red Salud Y Trabajo Alames)
(integrar representação de universidades, governo, representação de movimentos sociais e sindicais)
15h -intervalo
15h15 -16h15m – Espaço interativo de experiencias – Roda de Conversa
15h15 -17h -Apresentação de síntese de temas debatidos

17h -18h
Construção da agenda estratégica integrada saúde, trabalho e ambiente
Elaboração do Manifesto do I Encontro sobre Determinação socioambiental do processo saúde-doença: – a centralidade da saúde, trabalho e ambiente

Organizadores do Encontro Pré-Congresso:

Red Salud Y Trabajo – Alames
Fátima Sueli Ribeiro -Universidade Estadual do Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Francisco González – Universidad Centroccidental “Lisandro Alvarado” Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado (UCLA), Venezuela
Jairo Ernesto Luna-Garcia – Universidade Nacional da Colômbia (UNAL), Bogotá, Colômbia
Mauricio Torres Tovar – Universidade Nacional da Colômbia (UNAL), Bogotá, Colômbia

GT de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora – Abrasco
Maria Juliana Moura Corrêa – Cebes. Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Andréia Aparecida de Miranda Ramos – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Juiz de Fora (MG), Brasil
Bruno Chapadeiro – Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Maria Cristina Strausz -Fundação Osvaldo Cruz, Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Heleno Rodrigues Correa Filho – Cebes. Escola Superior de Ciências da Saúde, Universidade do Distrito Federal, ESCS-UnDF, Brasília (BSB), Brasil.

GT de Saúde Ambiental – Abrasco
Lia Giraldo S. Augusto – Cebes. Fundação Oswaldo Cruz, Pernambuco (PE)- aposentada. Rede Interseccional de Saúde reprodutiva e Agrotóxicos, Brasil
Anamaria Tambellini – Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana -CESTEH/Ensp/Fiocruz, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Instituição do governo brasileiro
Rita Mattos – Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana -CESTEH/Ensp/Fiocruz, Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Pedro Tourinho – Fundacentro, São Paulo (SP), Brasil
Luis Leão – Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador – CGSAT/SVSA/Ministério da Saúde, Brasília (BSB), Brasil

Instituições de Ensino
Cristiane Lemmos – Universidade Federal de Goiás. (UFG), Goiás, Brasil
Patrícia Robinson- Movimento da Saúde dos Povos (People Health Movement), Escola de Saúde Pública (ESPRS), Rio Grande do Sul (RS), Brasil
Ary Carvalho de Miranda- Instituto Tricontinental de Pesquisa Social
Andrés Trotta – Universidad Nacional de Lanús, Instituto de Salud Colectiva- ISCo/UNLa, Argentina

Entidades não governamentais
ABA – Associação Brasileira de Agroecologia
ABRASTT- Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora
RBJA- Rede Brasileira de Justiça Ambiental
APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
CONAQ- Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
Frente Ampla em Defesa da Saúde dos Trabalhadores
ISP – Internacional de Serviços Públicos
RBJA- Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Nacional de Saúde Reprodutiva
Rede / movimentos /Fórum Nacional

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