O Racismo e sua reprodução na determinação social em saúde de mulheres negras – como impacta na violência de gênero.
Junto a processos de violência estrutural vem sempre o silenciamento e a opressão dos corpos, da fala, da cultura. A violência é, portanto, um fenômeno, social, cultural, político, que pauta a colonialidade ao longo da história. O fenômeno da violência de gênero provoca sérias consequências para a vida das mulheres, haja vista as alarmantes taxas de feminicídios que têm como alvo preferencial mulheres jovens, periféricas e negras, tornando-se assim um grave problema da saúde pública e uma violação aos direitos humanos, nas trajetórias de sociedades pautadas em uma cultura patriarcal, capitalista. Segundo estudos realizados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, houve um aumento de todas as formas de violências contra as mulheres. O discurso de ódio, racista, machista e misógino, acirrado na atualidade, proporcionado pelo avanço da ultradireita conservadora vem contribuído com esse cenário, onde a intersecção entre os marcadores de gênero, raça, classe e território revela que as mulheres negras, seguem sendo as principais vítimas com taxas de 1,8 vezes mais chances de sofrerem um feminicídio, expressão máxima da violência de gênero, que as mulheres brancas. Apesar de todo o avanço no aparato legal de proteção as mulheres, no Brasil, graças as lutas dos movimentos sociais e feministas para a criação de leis como a Maria da Penha- Lei 11.340 de 2006, Lei do Feminicídio de número 13.104 de 2015, e ações e intenções que vem promovendo a igualdade de gênero em diferentes espaços, o cenário permanece recrudescido, apontando a necessidade de discutirmos estratégias e medidas de enfrentamento com os entes públicos e a sociedade civil para reverter tal cenário e garantir o direito a uma vida segura sem violência e com pleno exercício da cidadania por todas as mulheres, incluindo as mulheres trans. Assim, a oficina visa suscitar o debate e apontar possíveis ações que possam contribuir nas mudanças dessas estatísticas na luta contra todas as formas de violências sofridas pelas mulheres e garantia de direitos, por uma sociedade sem machismo, antipatriarcal, anticapitalista e antirracista. Conteúdo previsto a ser abordado: Desigualdades raciais e seus reflexos na reprodução da violência de gênero sobre os corpos e vidas das mulheres negras; a intersecção entre os marcadores de gênero, raça, classe e território na produção das violências; o racismo estrutural e como atravessa as práticas nos serviços de saúde e de segurança pública; o que nos dizem os números e taxas de feminicídios?

