A força de trabalho em saúde no Brasil: a dialética da dependência na periferia do capitalismo
No campo da saúde coletiva, existe a tradição dos debates que pensam a saúde como um dos elementos do desenvolvimento. Uma das vertentes das teorias da dependência mais destacadas no Brasil considera que não há possibilidade de desenvolvimento nos países dependentes no âmbito do capitalismo, pois a divisão internacional do trabalho impõe à América Latina condições de intercâmbio desiguais. Essa vertente se chama Teoria Marxista da Dependência (TMD) e propõe uma compreensão sobre a economia política dos países da periferia do capitalismo.
A TMD define a superexploração da força de trabalho como uma categoria analítica que caracteriza a dependência. Essa estrutura tem como sua face mais visível: a remuneração da força de trabalho abaixo do seu valor; longas jornadas de trabalho; e a intensidade elevada do ritmo de trabalho, elementos que levam a um desgaste prematuro da força de trabalho, com sérias consequências sobre o fundo de vida dos trabalhadores. Mas há muitos outros aspectos, menos visíveis, para serem desvendados.
No setor de saúde brasileiro as condições de trabalho dos profissionais de saúde não escapa à superexploração, apesar de suas especificidades. É esta discussão que propomos. Primeiro faremos uma introdução à TMD e ao conceito de superexploração da força de trabalho; em seguida discutiremos os indicadores e as características da força de trabalho em saúde no Brasil, buscando a contribuição empírica dos participantes.
Esta Oficina é proposta pelo Grupo de Pesquisa Saúde, Sociedade, Estado, Mercado (SEM) e Projeto de Extensão da FSS/UERJ “Promovendo reflexões sobre o mundo do trabalho no capitalismo dependente: a situação das profissionais do Serviço Social e da Enfermagem” e tem como objetivo colaborar com a retomada da TMD no debate contemporâneo e inseri-la nas análises sobre o setor de saúde brasileiro. Busca-se promover uma reflexão entre os participantes a partir de suas próprias vivências e condições enquanto profissionais de saúde.
A superexploração é uma das faces mais perversas dos elementos estruturantes da dependência e vem se aprofundando com as mudanças no mundo do trabalho. Considera-se que este assunto deveria ser parte importante de uma agenda de pesquisa para a economia política da saúde no Brasil.

