XVIII Congresso Latinoamericano de Medicina Social e Saúde Coletiva

TRABALHO COLABORATIVO EM SAÚDE NA AMÉRICA LATINA: TROCA DE EXPERIÊNCIAS E APRENDIZAGENS EM DIFERENTES REALIDADES

O apoio matricial como tecnologia social brasileira, contribui para processos de conexão e colaboração em rede. Foi desenvolvido para apoiar a execução prática do pilar da integralidade no Sistema Único de Saúde no âmbito da atenção em saúde mental. Conta como uma de suas ferramentas estratégicas, a educação em saúde que, com grande frequência, toma a forma de educação permanente ou continuada em saúde. Especialistas em saúde mental dominam a condução de processos de cuidado em saúde mental, mas não necessariamente dominam processos de conexão, colaboração e formação no/para o trabalho. Há necessidade de se construir e aprimorar ferramentas para realizar transformação social em saúde, e a oficina proposta apoiará a produção de conhecimentos e ferramentas práticas que tenham essa finalidade.

Propomos uma oficina de mapeamento e qualificação dos processos de colaboração em rede, com base nas ferramentas de educação em saúde. A proposta é direcionada para as equipes que realizam – ou gostariam de realizar – trabalho colaborativo em rede na América Latina.
Pretendemos obter como um produto da oficina, uma ferramenta de mapeamento das diversas formas de existência do trabalho colaborativo em saúde na América Latina em que se possam identificar estratégias e ferramentas. O segundo produto que pretendemos obter é a validação e aprimoramento de um processo formativo de qualificação das habilidades de análise de redes e de ativação de recursos de conexão e colaboração intra e intersetorial, a partir da ferramenta das oficinas emancipatórias.

A educação emancipatória é proposta como metodologia, por possibilitar que estudantes, pesquisadores(as), trabalhadores(as) da assistência e gestores(as) se localizem no processo de produção em saúde assumindo-se como autores, em lugar de instrumentos do processo de trabalho.

Trabalhadore(as) capazes de identificar seu objeto de trabalho têm maior clareza na escolha de instrumentos e podem orientar conscientemente suas ações pelas finalidades de emancipação humana. Apropriados dessa clareza, pretende-se que participantes tenham melhores condições de se engajarem no planejamento de ações com potencial de identificar as necessidades sociais e de saúde das populações, bem como os instrumentos de que dispõem para responder a elas, qualificando o exercício da prática do trabalho colaborativo em rede e apoio matricial em diferentes realidades de cuidado em saúde. Conhecer diferentes arranjos do trabalho colaborativo em rede e apoio matricial na América Latina será potente tanto para os participantes da oficina, de forma a possibilitar um espaço de troca de experiências de tais organizações e também de aprendizagem mútua de formatos de espaços de gestão do trabalho e do cuidado que tenham os trabalhadores e trabalhadoras no centro do processo.

Objetivos:
Realizar mapeamento inicial das diversas formas de existência do trabalho colaborativo em saúde na América Latina;
Apresentar e aprimorar ferramenta educativa de qualificação do trabalho colaborativo em rede e apoio matricial no contexto da América Latina;
Elaborar, por meio dos registros do processo, produto técnico que compile mapeamento de estratégias de trabalho colaborativo em saúde latinoamericano, subsidiando estudos e práticas sobre a temática.

Metodologia:
A educação emancipatória possibilita a estudantes, pesquisadores(as), trabalhadores(as) da assistência e da gestão que percebam seu papel e contribuição no sistema de produção em saúde e que analisem o que está em jogo nas propostas técnico-assistenciais de que fazem parte. Operacionalizada na forma de oficinas emancipatórias a educação emancipatória prevê a produção coletiva de conhecimento entre as experiências reais e a mediação do processo. Descrevem-se 5 momentos do processo ensino-aprendizagem, que conformam ciclos de reflexão crítica com finalidade de transformar práticas:
Encontro – parte-se das experiências concretas das pessoas participantes;
Problematização – a realidade é analisada em suas contradições, problemas e possibilidades de solução;
Instrumentalização – novos conhecimentos teóricos e técnicos são apresentados ao grupo para confrontar explicações iniciais e avançar na análise crítica;
Síntese – novo conhecimento é produzido coletivamente;
Novas práticas – é esperado que novas práticas resultem de uma nova forma de apreender a realidade, e identificar o objeto de intervenção.
Como resultado da oficina espera-se que participantes apreendam algumas ferramentas de análise de seus processos de trabalho no que tange a conexão e colaboração em rede. Por meio dessa análise é possível desenvolver instrumentos alinhados com a transformação social necessária em saúde coletiva, assim como aproximação com realidades e arranjos diversos sobre trabalho colaborativo em rede e apoio matricial.

Público Alvo:
A oficina se construirá sobre as experiências de participantes com ensino, pesquisa, gestão e assistência em saúde. Participantes com qualquer grau de experiência nesses campos, terão condições de participar (estudantes, profissionais, formadores, docentes).

Infraestructura física necessária:
Sala com cadeiras móveis que permitam trabalho em roda, mesas para trabalhos em grupo (podem ser mesas pequenas onde participantes de cada pequeno grupo possam apoiar a feitura dos cartazes); projetor; computador ligado ao projetor (se necessário, levaremos o notebook), Flipchart ou espaço onde colar folhas de papel craft (suporte para registro de processos, podem ser paredes em que se possam colar cartazes).

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